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O lápis que vê

O lápis que vê

25 de Outubro, 2019

Querido Porto

Ana Isabel Sampaio

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Querido Porto,

Desculpa se não estamos a saber como lutar por ti.

Vão-te tirando a alma aos poucos e o desespero apodera-se. De ti e de nós. A raiva que se vai misturando com a tua neblina, o teu mistério arrancado a troco de um progresso tosco e que nos está a roubar-te de ti.

Onde está a nossa alma tripeira intrépida e combativa, que não se deixa ficar, que nunca se deixou ficar? Onde está o nosso grito? Porque não estamos a conseguir lutar por ti como mereces?

As noites frias de desertos passados que foram superadas com arte e imaginação, com luta, de mangas arregaçadas e coragem.

Que cerco é este agora? Este cerco que nos estrangula, mas não conseguimos ver as cordas.