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O lápis que vê

O lápis que vê

09 de Junho, 2020

Pensamento aleatório despregado #56

Ana Isabel Sampaio

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Pelos vistos andam por aí políticos brancos, homens a dizer que não há racismo em Portugal. Também devem achar que não há machismo nem sexismo, isto porque nunca lhes aconteceu, logo deve ser verdade.

Aliás, nem em Portugal nem no mundo, é obviamente um exagero e uma teoria da conspiração das pessoas que vão para manifestações por sociedades mais justas e se juntam aos magotes para apanhar o vírus. Deviam antes ter ido para Fátima, que toda a gente sabe que o vírus, mal sente a fé, começa a espumar-se e explode. Isso ou ter ido para um shopping que o santo consumismo também protege.

Será que ainda não percebemos o quanto as nossas vidas são cheias de coisas irrelevantes e tediosas?

Está na altura de tirar os óculos cor-de-rosa com que muita gente vê o nosso país: quer a nível da atualidade, quer a nível da história (não, o nosso colonialismo não foi mais simpático, nem a nossa ditadura mais branda). Também está na altura de toda a gente ser mais ativa politicamente. Tudo, absolutamente tudo à nossa volta é fruto de decisões políticas, parem de achar que não é convosco. Temos de parar com as analises simplistas das coisas. Desculpem estragar o vosso sonho, mas o mundo não vai melhora só a desenhar arco-íris e pensar positivo. É importante agir, sem ação não há mudança, não há evolução. Saiam, por favor, da vossa bolha dourada de ilusão. 

Não é o grito dos maus que me preocupa, mas o silêncio dos bons, já dizia King, tantas vezes citado só quando convém. E os bons estão calados há muito, calados e apáticos demais. Não deixem a cegueira e o preconceito andarem à solta sem resposta, temos exemplos históricos e contemporâneos que ignorar não dá bom resultado.  Ou acham que os direitos e liberdades onde confortavelmente nos sentamos hoje foram conseguidos canalizando prana do Universo? Sim, é preciso inspiração, é preciso meditar sobre nós e sobre o que nos rodeia, mas e o que fazer com isso? É importante analisarmo-nos, sabermos os nosso valores e olhar de frente para as nossas limitações e hipocrisias. Redefinir o nosso pensamento, as nossas emoções e tratar os nossos traumas. Ter fé e esperança e acreditar que, sim pode ser tudo melhor, não olhando para o lado e fingindo que o mal não está lá, mas arregaçando as mangas e erguendo todas as nossas ferramentas para construir aquilo que consideramos ser um mundo e um presente (futuro) melhor.