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O lápis que vê

O lápis que vê

30 de Janeiro, 2020

Os adios

Ana Isabel Sampaio

Tenho de parar de me adiar.

Escolho parar de me adiar.

Adiar a beleza.

Adiar a escrita.

Adiar o dia.

Adiar a meditação.

Adiar o acordar.

Entre adios por um dia melhor, mais propício, entre o guarda para a melhor ocasião vão-se perdendo anos adiados.

Escolho o agora, não adio mais. Vou pintar as unhas e o caderno, mesmo que a aguarela fique esborratada. Vou gravar, mesmo que a voz trema e não seja ainda a minha voz.

Vou escrever mesmo que seja mau. Encontro assim o meu lugar no mundo, mesmo que esse lugar seja pelo mundo, aqui e ali. Espalhada, porque o meu coração é grande.

Vou ler agora.

Vou dizer agora.

Vou sair agora.

Vou olhar agora nos olhos de todos.

Porque já sabemos, que muitas vezes, depois, torna-se nunca.

2 comentários

  • Olá Ana, engraçado como as interpretações são realmente diferentes (nada que não soubesse, mas mais estranho quando é relativamente a lago que eu escrevi). Este texto foi escrito relativamente a um momento especifico e muito feliz. Escrevi com imensa alegria e calma. Sem nenhuma ansiedade ou sentimento de emergência em relação a nada. Mas agora percebo que este tema raramente é visto por este lado.
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