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O lápis que vê

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21 de Outubro, 2018

O mito de Ishtar: a descida| The myth of Ishtar: the descendant

Ana Isabel Sampaio

História é uma das minhas grandes paixões. Mitologia uma das minhas grandes curiosidades. Não acredito que a nossa civilização seja a mais avança que já pisou esta terra, nem de longe. Podemos ter a tecnologia, mas falta muita outra coisa. Basta olhar à nossa volta para ver que informação e conhecimento são diferentes de sabedoria.

Gosto de vasculhar histórias antigas e perceber como se podem relacionar com a evolução da alma humana, quer a título individual quer enquanto civilização.

Estamos mais desconectados do que nunca da natureza. Recusamos os ciclos naturais como se fossem uma praga para a qual temos de arranjar solução. Fazemos deles nossos inimigos, algo a combater e diariamente administramos a nós próprios remédios que nos entorpecem. Vamos ficando num conforto descontável que é como o melhoral, nem faz bem, nem faz mal. Pelo menos durante um tempo, porque depois este conforto desconfortável vai entranhando, vai contaminando tudo discretamente… e aí toma-se decisões ou se continua a fingir ou se decide evoluir (é um bocado como a evolução dos super guerreio do Dragon ball… e agora estamos todos a cantar a música mentalmente).

Hoje quero falar da história de Ishtar. A deusa suméria do Amor. Equivalente a Vénus ou Afrodite, mas muito mais poderosa. Era também venerada pelos guerreiros que se inspiravam no seu poder, na sua energia e no seu poder de conciliar opostos, de cura e regeneração (não é por acaso que é a deusa do Amor). Os anos e as civilizações foram tornando as figuras de referência femininas desenxabidas, aborrecidas e sem um papel verdadeiramente diferenciador. Mas basta uma pequena pesquisa por civilizações antigas para perceber que as deusas e mulheres eram veneradas de outras formas. Eram mulheres fortes e vulneráveis, que hoje em dia nos parassem paradoxos irreconciliáveis, mas não são. Eram mulheres plenas da sua sexualidade, que consideravam sagrada. Gosto sempre reforçar que, não só a essência feminina foi distorcida, mas também a essência masculina. Estamos num ponto em que temos de resgatar as essências e encontrar o equilíbrio.

Ishtar deu origem a várias tradições que ainda se mantêm nos nossos dias como a dos ovos na Páscoa. Muito se pode contar sobre esta deusa, mas a história que hoje quero contar é a da sua descida ao submundo para salvar o seu amado.

Parte I: A Descida The myth of Ishtar: descendant and ascension to the self underworldPart I: The Descendant5d9c6fec85d04eb92c4e604d1e648ee6