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O lápis que vê

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03 de Março, 2020

Humanidade: esse projeto inacabado | Humanity: that unfinished business

Ana Isabel Sampaio

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A humanidade é um projeto inacabado. O medo alimenta a ignorância, a ignorância alimenta ódios. Não em apetece falar sobre o tanto que vai mal. Também não me apetece entrar em otimismos extremos, positivismos bacocos e vazios.

Quero falar de consciência. Pergunto-me o que leva uma pessoa a magoar outra. Pergunto-me o que leva alguém a ser violento (qualquer forma que essa violência tome) com outro ser humano só porque, aparentemente, está numa situação mais frágil ou é diferente.

Estaremos assim tão longe de nós próprios?

O voyeurismo social disparou nas ultimas décadas. Mas porquê? Estaremos tão desencantados com a própria vida que precisamos da decadência exposta para nos sentimos melhor.

Não tenho dúvida de que muito se falhou enquanto sociedade.

Às vezes desespero na impotência. Penso no ridículo a que chega a ganância. Muitos acham que o mal do mundo é o dinheiro, mas o mal do mundo é o poder, ou a sede dele, que vem de um medo profundo de separação. Então, em vez de construímos pontes, jangadas, estradas caminhos, construímos muros. Construímos castelos de espuma cheios coisas que não valem nada. Às vezes não tenho fé nenhuma na humanidade e desespero. Desespero porque não conseguimos garantir o mais básico de dignidade e humanidade. Nem para nós nem para os seres vivos. O mundo tornou-se um inferno para animais e para metade da população humana.

Mas depois não consigo desistir. Não consigo cruzar os braços. Não consigo deixar ir. Mesmo quando não sei bem o que fazer. Penso nas tantas coisas boas, penso nos meus alunos, nas pessoas que amo, no mar e nos passeios na praia, nas descobertas em novas culturas, novos sítios, novas descobertas. Penso no tanto que temos de comum e que, mesmo no desespero, há sempre quem não desisti, aquelas pessoas que nos inspiram… e aos mesmo tempo em todas aquelas pelas quais não podemos desistir e não podemos parar nem calar.

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"O Amor é o únco remédio que pode salvar o mundo." "Love is the only medicine that can save the world." From the children book "O que é o Amor? ", José Jorge Letria

 

Humanity is an unfinished project. Fear fuels ignorance, ignorance fuels hate. I don't feel like talking about all the bad. Nor do I feel like going into extreme optimisms, silly and empty positivisms.

I want to talk about conscience. I wonder what makes one person hurt another. I wonder what makes someone to be violent (whatever form that violence takes) with another human being just because, apparently, they are in a more fragile situation or are just  different.

Are we that far away from ourselves?

Social voyeurism has skyrocketed in recent decades. But why? Are we so disenchanted with life our own lifes or with life itself that we need exploit decay to feel better.

I have no doubt that we failed in many ways as a society.

Sometimes hopelessness and  impotence takes over me. I think of the ridiculousness that greed comes to. Many think that the evil in the world is money, but the evil in the world is power, or the thirst for it, which comes from a deep fear of separation. So, instead of building bridges, rafts, roads, paths… we build walls. We build foam castles full of things that are worthless. Sometimes I have no faith in humanity and I despair again. I despair because we cannot guarantee the most basic of dignity and humanity. Neither for us nor for living beings. The world has become hell for animals and for half the human population.

But then I can't give up. I can't cross my arms. I can't let go. Even when I'm not sure what to do. I think of so many good things, I think of my students, the people I love, the sea and walks on the beach, new adventures, new places, new discoveries. I think of how much we have in common and that, even in despair, there are always those who have not given up, those people who inspire us ... and at the same time I think of all those for whom we cannot give up and we cannot stop or be silent.

 

 

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