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O lápis que vê

O lápis que vê

15 de Março, 2020

Diário (em tempos de pandemia) | Diary (in pandemic times) #2

Ana Isabel Sampaio

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Ninguém acreditava muito que isto era possível. Todos vivíamos numa bolha. A Europa e o mundo está a levar uma grande lição de humildade. Esperemos que se aprenda rápido para não alastrar mais. Espero que agora sejamos todos mais conscientes e solidários com quem foge de situações complicadas. Que se deixe de lado o capitalismo desenfreado. Que, em casa as pessoas percebam que existe outra possibilidade, mais humana, mais natural, mais calma.

Domingo, quarentena ou não, é sempre uma dia mais relaxado em termos de horário, por isso, não acordei a tempo de ir caminhar à praia sem evitar possiveis aglomerados ou achei que era uma boa desculpa para a preguiça. (...)

Sinto que toda a gente está a ficar mais consciente de que é preciso ficar em casa e ter cuidado. Sinto uma crescente aproximação de pessoas, da solidariedade, do sentido de comunidade e é isso que me vou focar em fazer crescer. Têm sido dias de reflexão, sobre mim e sobre tudo.

Quanto ao processo, tenho refletido sobre a forma como tenho reagido. O medo, a agitação, a coragem, a solidariedade e principalmente o que é que isso significa para mim, ou melhor, qual é o meu contributo pessoal para tudo isso. Sabendo que todos todos o podemos fazer de uma forma diferente, própria e que a natureza é uma simbiose perfeita, como podem todas estas nossas formas diferentes se unir na perfeição? (...)

Será que estou assim tão "evoluída", à falta de melhor palavra?  Ainda tive medo, mais do que queria. Ainda deixei que as minhas emoções tomassem conta em certas circunstâncias. (...) Estou a perceber melhor como posso contribuir para o mundo. Sei que o palavra e a consciencialização e educação são no topo.

Todos nós passamos a perceber o medo de uma situação incontrolável. Todos, de uma forma ou de outra, estamos mais sensíveis. Todos percebem, de uma forma ou de outra, que somos tão parecidos e que a nossa individualidade é o que dá cor à manta de retalhos que nos aquece. As pessoas, as culturas, o mundo…

Amanhã pretendo organizar-me mais em termos de horários e tarefas, se não em vez de virose vou padecer de psicose.

PS- o quispo preto apareceu e só tinha passado por ele para aí 15 vezes.

(...)partes do texto omitidas por serem demasiado pessoais

 

No one believed that this could happene. We all lived in a bubble. Europe and the world is taking a great lesson in humility. Hopefully we will learn quickly so that it does not get worse. I hope that now everyone can be more aware and supportive of those who flee complicated situations. We are learning that unbridled capitalism is not the only way. People are realizing that there is another path, more human, more natural, more calm, more loving.

Sunday, quarantine or not, is always a more relaxed day in terms of schedule, so I didn't wake up in time to go walking on the beach without avoiding possible crowds or I thought it was a good excuse for laziness. (...)

I feel that everyone is becoming more aware that we need to stay at home and be careful these days. I feel a growing proximity between people, of solidarity, of the sense of community and that is what I will focus on in order to help it grow. These have been days of reflection, about me and everythinga nd I believe for everyone.

As for the process, I have reflected on how I have reacted to all that is happening. Fear, agitation, courage, solidarity and what does that mean to me, or rather, what can be my contribution to all of this. Knowing that we all can contribut in a different way and that nature is a perfect symbiosis, how can all of our different forms come together perfectly? (...)

Am I that "evolved", for lack of a better word? I was scared, more than I wanted to. I still let my emotions take over in wild ways in certain circumstances. (...) I am better understanding how I can contribute to the world. I know that writing and art and awareness and education are at the top of my list but how can it all come together?

We are all realizing the fear of an uncontrollable situation. Everyone, in one way or another, is more sensitive. Everyone realizes, in one way or another, that we are so alike and that our individuality is what gives color to the patchwork that warms us. The people, the cultures, the world ...

Tomorrow I intend to organize myself more in terms of schedules and tasks, if not, instead of a virus I will suffer from psychosis.

PS- the black parka reappeared and I only passed by it like 15 times.

(...) omited text due to being too personal for public display