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O lápis que vê

O lápis que vê

06 de Março, 2019

Cartas de Perdão

Ana Isabel Sampaio

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Para onde vão as palavras que não conseguimos dizer? Não é uma pergunta nova, nem original, para isso visitamos os livros do Afonso Cruz e temos títulos originais, palavras especiais e sempre novidades para ativar a nossa imaginação (esta referência vem porque me lembrei do livro Para onde vão os guarda-chuvas?).

Guardamos pormenores, guardamos grande

s sentimentos, guardamos um bocadinho de tudo que não vamos dizendo por medo, por vergonha, por… seja qual for o motivo. Guardamos também perdão que não damos, que queremos dar e não conseguimos, que não queremos dar, que já demos aos outros e a nós próprios.

Para mim a escrita é uma espécie de alívio, as palavras são a minha salvação e a minha perdição, a minha paixão e o meu tormento. Assim que tudo o que não consigo dizer a alguém, escrevo. Durante a vida acumulamos uma série de acontecimentos que nos bloqueiam, que nos fizeram criar formas pensamentos ou crenças que nos limitam o voo ou a vida. A sugestão que quero deixar é fazerem uma lista desses acontecimentos e de pessoas que vocês ou queiram perdoar ou a quem queiram pedir perdão. A ideia é escreverem uma carta sem filtros, vale tudo a essas pessoas ou a esses acontecimentos. Vale desde o bom ao pior. Temos de ter em mente a nossa responsabilidade na situação também, querendo com isto dizer, é preciso ter cuidado para não cair no padrão da vítima e coitadinho de mim. É muito diferente reconhecer a dor, acarinhá-la, trazê-la à luz ou darmos o nosso poder de cura (quando nos achamos vítimas das circunstâncias, a nossa visão tende a ficar enublada e perdemos de vista a objetividade e o que podemos fazer). Aquilo que nos acontece pode não ser nossa culpa, mas é nossa responsabilidade o que vamos fazer disso. Não é fácil muitas vezes, leva tempo e requer disciplina, desapego e uma profunda honestidade que nos leva muitas vezes a lugares onde não queremos ir, mas é daí que nasce a mudança.

Vá lá, experimentem e sintam o poder catártico que estas cartas podem ter. Entreguem-se.