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O lápis que vê

O lápis que vê

26 de Setembro, 2017

Arteterapia com crianças

Ana Isabel Sampaio

“Não devemos ensinar nada a uma criança, devemos maravilha-la.”

Marina Tsvetaeva

 

A Arteterapia é uma área do conhecimento humano que se tem vindo a desenvolver e a ganhar terreno nos últimos como auxilio terapêutico em vários contextos dos mais simples aos mais complexos. Ela usa mediadores e instrumentos artísticos para e como meio de expressão permitindo a transformação da pessoa. Não é necessário ser artista, desenhar bem, saber música ou saber dançar. É só necessário querer expressar. A Arteterapia é tida como uma atividade de purificação e reorganização interior, pois a arte por si só, feita esporadicamente, já é uma forma de renovação interna e quando feita especificamente como terapia, produz resultados surpreendentes.

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A Arteterapia encontra e proporciona um meio de relacionar a expressão verbal e não-verbal através de dinâmicas, em que o fazer arte é condutor de novas experiências. A sua finalidade é fornecer experiências que ajudem a criança a desenvolver valores, sentimentos, emoções e uma visão crítica do mundo.

A expressão, seja ela qual for, evoca o espírito criativo. As formas de arte podem orientar o desenvolvimento da criatividade, expandindo as necessidades criativas.

Cada vez mais as terapias holísticas vêm ganhado importância, assumindo que cada individuo é único e que a expressão de emoções e o seu reconhecimento é muitas vezes a solução ou uma ajuda à solução, seja qual for o problema.

As crianças estão mais ligadas à sua capacidade criativa, à capacidade de se maravilhar, de se expressar sem condicionamentos e medos. Essas capacidades vão sendo bloqueadas pelo contexto social em que se movem. Quando lhes dizem que não podem fazer isto ou aquilo desta ou daquela forma. Que não devem pintar um cavalo de azul ou quando a capacidade criativa é desvalorizada em função da normalização.

No início do livro O Principezinho, o narrador descreve um episódio de quando tinha seis anos. O seu primeiro desenho, inspirado nas aventuras de selva, foi uma jibóia a comer um elefante, quando foi mostrar aos adultos e lhes perguntou se o seu desenho os assustava, esta foi a reação:

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Realmente as crianças têm de explicar tudo aos adultos, às vezes eles têm alguma dificuldade em perceber 😊 …

Estamos a falar de um livro, mas com um exemplo que acontece mais que muitas vezes no quotidiano das crianças do que deveria. Todos temos algo parecido para contar. Eu própria nunca me esqueço da minha nota numa prova global de EVT em que tínhamos de desenhar um candeeiro de azeite daqueles antigos, que estava à nossa frente, lembro-me de o professor dizer para dar assas à nossa imaginação. Ora, para mim foi musica para os ouvidos, lá fui eu dar às asas. Quando recebi a prova, percebi que dar asas à imaginação era desenhar o candeeiro exatamente como ele era, igualzinho, sem um pingo de diferença… Sem falar das interpretações de texto que na escola obrigam a fazer, mas cuja interpretação está já definida pelo programa… Estes são alguns dos exemplos. Será que não deveríamos era estimular a capacidade de formar uma opinião única e crítica às crianças, ensinando-as a pensar e não somente a reproduzir?

O desenvolvimento psicossocial do ser humano dá-se até cerca dos doze anos. Inúmeros fatores podem influenciar esse desenvolvimento. A Arteterapia pretende ajudar no sentido em que:

  • Permite a expressão de sentimentos que muitas vezes são considerados desadequados e podem, por isso, ser reprimidos (raiva, tristeza, vergonha, revolta, pânico, confusão…), ajudando a reorganizar o meio interna da criança;
  • Dá continuidade ao processo de desenvolvimento global da criança através de estímulos físicos, sociais e sensoriais;
  • Estimula a imaginação e criatividade;
  • Proporciona às crianças o prazer de descobrir as suas criações;
  • Aumenta a confiança e autoestima;
  • Promove um ambiente saudável onde as crianças se sentem seguras durante o processo, criando um espaço de criação e facilitação da expressão verbal e não-verbal;
  • Valoriza as experiências e oferece suporte para compartilhar sentimentos e emoções durante as vivências, além de trabalhar a socialização;
  • Durante as vivências/sessões não há preocupação com estética e procura-se estimular a criação com o intuito de que a criança atribua e descubra novos significados;

Em suma, a Arteterapia ajuda a aumentar a autoestima, confiança, alegria, bem-estar, disposição e prazer de viver, alcançando assim um estado de equilíbrio integral.

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