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O lápis que vê

O lápis que vê

22 de Outubro, 2019

A distância confortável

Ana Isabel Sampaio

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Escolhas, desejos, mudanças e conforto…

Caos, objetivos, tempo, organização, planos, rotinas, habituação…

Movimento, estagnação…

Este cartoon é muito interessante e diz muito de nós… não sei se é da natureza humana ou se uma praga da civilização ocidental…

Já pratico yoga há algum tempo, a leitura é uma das minhas paixões desde muito pequena e, onde é que isto se une, perguntam vocês. Basta um pequeno passeio pelas livrarias para perceber qual é a tendência do momento: livros de mindfulness, livros com palavrões na capa (sou do Porto, por favor: not impressed, bitch please!!😊), livros de autoajuda, espiritualidade, pensamento positivo… Que se querem a minha opinião, apenas roçam a superfície dos assuntos que abordam. São um bocadinho como papel de embrulho para embrulhar uma caixa vazia. Falham em falar verdadeiramente de todo o processo, prometendo resultados rápidos.

Há sim bons livros sobre estes temas.

O que falta a estes livros e a frustração que as pessoas vão sentido têm muito em comum… ninguém gosta da banha da cobra, ai mas era tão bom que fosse assim… ai era tão fácil se saísse o euromilhões, lá se iam os problemas (!!??)…

Toda a gente quer a medalha de ouro, mas poucas pessoas querem correr a maratona.

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Quanto realmente as pessoas querem o que dizem que querem?

Quanto de verdade as pessoas sabem o que querem?

O sucesso repentino normalmente demora 10 anos!! 😊(um bocado dramático, mas vocês perceberam).

A expressão "morrer na praia" é muito interessante. Quando as coisas começam a acontecer na vida das pessoas, na direção daquilo que pretendem, quantas estão dispostas a passar pelas fases menos agradáveis e continuar? Mesmo com o risco de não conseguir? E a distância agradável que se vai mantendo disso, não largando completamente, mas não tomando as verdadeiras medidas para fazer acontecer, o que deixa um sabor agridoce, porque, alguma parte, mesmo que subconsciente, percebe o que está a acontecer.

Quando facto as coisas começam a aparecer, nós olhamos para as coisas e perguntamos: se eu fizer essa escolha, isso vai criar a mudança, mas eu estou de verdade disposto a passar por tudo o que essa mudança vai criar??

E aí a pergunta é outra: manter a vida organizadinha, linear, com controlo sobre tudo, as coisas a não poder sair da linha... acreditam mesmo que isso vai criar alguma coisa de valor, que vai fazer acontecer alguma com significado profundo?

Claro que é preciso ser organizado, disciplinado, saber o que se quer... mas também é preciso deixar uma parte para ser surpreendido, para descobrir outros caminhos e soluções, muitas vezes melhores do que o que tinhamos immaginado. Agora, dá trabalho, requer esforço, requer magia também, mas não passes de mágica.

Permitir que a vida fique virada do avesso e, quem sabe, o avesso não é afinal o lado certo. Como seria? Como seria se a vida desse uma volta de 180º  e essa mudança fosse a mudança tão querida e desejada.

Lembro-me muitas vezes que um mestre de yoga me disse, depois de eu comentar que havia sempre muita gente no inicio das turmas, mas depois desistiam muitas pessoas. Ele respondeu: o yoga exige mudança, exige que se olhe para dentro e se confronte a nossa sombra para que, com o tempo, o mundo também reflita essa mudança, e a maioria não está disposto a isso. Isto pode até parecer paternalista ou pedante, mas não foi.

 

 

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