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O lápis que vê

O lápis que vê

20 de Março, 2019

Pensamento aleatório despregado #30

Ana Isabel Sampaio

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A violência doméstica e a questão dos direitos das mulheres, machismo, feminismo e tudo o que gira à volta disto dá sempre pano para mangas em vários sectores da sociedade, quando na verdade as coisas deveriam ser muito simples houvesse decência, inteligência e humanidade. Lembro-me sempre daquela altura em que os piropos foram criminalizados e eu festejei. Claro que muita gente achou que eu exagerava, mas não, os piropos são só o reflexo do resto. O reflexo de alguém (maioritariamente homens em relação a mulheres, mas o contrário também é possível) que acha que pode invadir o espaço de alguém e assediar com ordinarices (não, não é elogio e não, nós não nos sentimos elogiadas e, se alguém se sente, deveria ir trabalhar na sua autoestima a valor pessoal, lamento, mas é verdade). E tudo isto vai além dos piropos, também é comum quando abordadas os meninos não saibam ouvir um não e se tornem desagradáveis (sim, isto é muito comum).

Há uma coisa que temos de perceber e aceitar e isso é a diferença. Homens e mulheres devem estar juntos, lado a lado, qualquer que seja a raça, proveniência, orientação sexual. Devemos caminhar lado a lado horando o planeta e tudo o que aqui há.

Mais uma vez tudo isto é sintomático. Lembro-me sempre de uma coisa que Steve Irwin (o senhor dos crocodilos) disse, ele disse que nós não somos donos do planeta terra, nós pertencemos ao planeta terra e temos de coexistir. Isto aplica-se a tudo, porque a questão do machismo e patriarcado é também uma questão de poder. É uma questão de distorção do masculino e do feminino. Este sistema de poder reflete-se depois em tudo, porque começa na educação e a partir daí contamina tudo.

Esta relação disfuncional de poder reflete-se em tudo no planeta: na violência de género, na violência racista e xenófoba, basicamente em tudo o que é violência. Violência é violência nem que aconteça só uma vez, um insulto é violência, negligência é violência, desrespeitar espaço e pertences é violência e tantas mais coisas… Na violência contra o próprio planeta, contra animais, contra o que é diferente e abana os alicerces do status quo. Muitas pessoas preferem entrar em negação a enfrentar a realidade. Perceber que sim, podem fazer alguma diferença e se todos fizermos alguma diferença então sim, o impacto vai crescendo.

Já não dá para virar a cara para o lado, porque o lado agora já não é bonito, porque o outro lado agora entra pela consciência, porque agora a consciencialização, a revolução de consciências já é imparável. Porque as pessoas já não aceitam coisas que insultem a sua alma. Porque já ninguém se quer contentar, porque lá no fundo nós sabemos que há mais, sabemos que há melhor. Porque vemos cada vez mais histórias de união, histórias de quem faz essa diferença. Não só na televisão (aliás, a televisão insiste na mediocridade), mas nas redes sociais, mas também ao nosso lado, nas pessoas que vamos conhecendo, essas histórias já não são meras excepções, essas histórias são cada vez mais a regra.

Também não acho que as coisas aconteçam mais agora, a diferença é que agora pouca coisa fica escondida nas sombras e na vergonha, agora as pessoas estão a ganhar a sua voz e a levantar-se contra o que está mal.

O poder só é necessário se se quiser fazer algum tipo de imposição ou mal, senão o Amor chega para tudo. Consciência, empatia, alegria são as soluções. Mas isto só pode acontecer se cada um olhar com consciência e humildade para si mesmo.

A verdade, e já alguém disse, não falta Amor, falta amar (não falta sentir, falta fazer).