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O lápis que vê

O lápis que vê

10 de Janeiro, 2019

A velha versão de nós próprios | The old version of ourselves

Ana Isabel Sampaio

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Quando uma nova fase se apresenta para nós, tudo o que já não está em ressonância com essa nova energia vai progressivamente saindo do nosso campo. Tudo pode ser complicado e confuso, apegados como somos ao familiar e confortável, mesmo que o familiar e confortável seja o mal menor.

Mas acima de tudo, o mais difícil é libertarmo-nos da velha versão de nós mesmos.

De tudo o que fizemos, de tudo o que trabalhamos, do tanto que nos esforçamos… tantas vezes sozinhos… tantas vezes sem nenhum apoio ou reforço, sem nenhum aplauso, sem nenhum reconhecimento… Como liberarmo-nos daquelas batalhas silenciosas que vencemos a muito custo, batalhas contra os nossos demónios, medos…

Deixar ir tudo isso e incorporar totalmente o nosso novo eu, deixando a lembrança do que já foi é se calhar a prova mais dura que teremos de enfrentar.

Perguntamo-nos: “mas e então? Todo aquele trabalho, todo aquele esforço, toda aquela dor, disciplina, prova, superação agora vai ficar assim, nas sombras? As pessoas vão olhar para mim e ver-me assim feliz e luminoso e não vão perceber em que campo de batalha isso foi erguido?”

A resposta é: sim.

Mas toda esta dificuldade vem de um apego ao difícil que nos é incutido desde sempre. Aliás, a dificuldade vem só do apego. Porque nunca nos ensinaram sobre as fases da existência, sobre os ciclos da vida-morte-vida, nunca nos ensinaram a fluir com a energia da terra, da vida e das estações… Nunca nos ensinaram sobre ação inspirada, sobre intuição e sobre seguir o coração… Por isso nos apegamos.

A partir do momento em que percebemos tudo isto, que escolhemos a alegria acima de tudo e que paramos de precisar de nos explicar (aos outros e a nós próprios) tudo se torna mais leve, simples e natural.

Aprendemos a honrar os momentos maus junto com os momentos bons, sem julgar nenhum. Percebemos que as circunstâncias são mensageiras.

Que o tempo muda a cada dia e com os dias passam as estações.

Aprendemos que há coisas e pessoas que entram e saem da nossa vida e que há coisas e pessoas que ficam, e essas que ficam vão-se transformando junto connosco. Que há sonhos que mudam, sonhos que deixam de fazer sentido e sonhos para os quais já somos grandiosos demais e que já nos ficam pequenos, e para outros, ainda temos de crescer um pouco mais… E que acima de tudo não faz mal. O nosso coração vai expandindo a cada segundo e a nossa capacidade de amar torna-se a cada dia mais e mais infinita.

Aprendemos que nem tudo é para nós e não temos de fazer tudo. Aprendemos a acreditar em milagres, mas acima de tudo aprendemos a fazê-los.

 

When a new phase presents itself to us, everything that is no longer in resonance with that new energy fades progressively out of our environment. Everything can be complicated and confusing, attached as we are to the familiar and comfortable.

But above all, to free ourselves from our old version can be the most difficult thing .

From everything we've done, from everything we've worked on, from everything we strive for ... alone mosto f the times ... and so many times without any support or reinforcement, without any applause, no recognition ... How to free ourselves from those silent battles that we won at great cost, battles against our demons, fears, blocks…

Let go of all this and fully incorporate our new self, leaving the memory of what has already been is perhaps the hardest trial that we will have to face.

We ask ourselves: "what now? What about all that work, all that effort, all that pain, discipline, tests, will they remain in the shadows? People will look at me and see me so happy and bright and will not realize on what battlefield this was built?

The answer is: yes.

But all this difficulty comes from an attachment to what is difficult that has been infused all along. In fact, the difficulty comes only from attachment. Because they have never taught us about the phases of existence, about the cycles of life-death-life, they have never taught us to flow with the energy of the earth, of life and the seasons ... Never taught us about inspired action, intuition, and following our heart ... That's why we cling.

From the moment we perceive all this and that we choose joy above all else and that we need to stop explain ourselves (to others and to ourselves), everything becomes lighter, simpler, and natural.

We learn to honor the bad times along with the good ones, without judging any of them. We realize that circumstances are messengers. That time changes every day and with the days pass the seasons.

We learn that there are things and people that come in and out of our lives and that there are things and people that stay, and those that stay are going to be transformed along with us. That there are dreams that change, dreams that stop making sense and dreams for which we are already too big for them. For other dreams we still have to grow a little more ... And it is all right. Our heart is expanding every second and our ability to love becomes more and more infinite every day.

We have learned that not everything is for us and we do not have to do everything. We learn to believe in miracles, but above all we learn to do them.

09 de Janeiro, 2019

Um poema por dia?!... e também um pequeno texto

Ana Isabel Sampaio

Este poema vem acompanhado de uma pequena reflexão. Ele é uma homenagem às mulheres, à energia feminina, ao feminino divino e não o feminino deturpado que nos é vendido diariamente. Deturpado por ideias pré-concebidas de mulheres castas que precisam de ser salvas ou então das ideias de mulheres que têm de ser como os homens para conseguir vencer na vida.

Ele é uma homenagem às mulheres que têm de superar a cada momento preconceitos sobre como devem ser)

Já escrevi algumas coisas sobre como é importante resgatar a essência das energia feminina e da energia masculina (que também foi deturpada, e aproveito para deixar aqui a minha homenagem e agradecimento a todos os homens que todos os dias tentar vencer essa deturpação, a vossa vez de vir num poema também vai chegar tenho a certeza).

Ser mulher e estar consciente de si, significa a cada momento estar numa espécie de batalha contra: os estereótipos e preconceitos, opiniões não pedidas, o espectro da violência (muitas vezes por se ser simplesmente assertiva ou por se dizer não, todos nós sabemos como alguns egos masculinos podem ser frágeis, quem me conhece intimamente sabe que tenho uma teoria sobre isso, mas pode ferir ainda mais susceptibilidades), como se devem vestir e já agora comportar...

Acho que tem de se falar dos assuntos com muita clareza e chamar as coisas pelos nomes, sem medo de estar a ser demais, ou a levantar muita poeira. Há algumas questões que precisam de ser abordadas se preconceitos ou paninhos quentes.

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07 de Janeiro, 2019

Pensamento aleatório despregado #24

Ana Isabel Sampaio

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Estou a pensar escrever um livro chamado:Como não revirar os olhos a cada cinco minutos - porque tudo é ofensivo hoje em dia até a verdade?Vai ter capítulos como:Como deixar de ser coninhas?Como deixar-se de m*****?Porque toda gente é muito sensível na internet, mas ninguém investe na sua cultura?Será que devo ficar ofendido com tudo ou é melhor pensar dois minutos nas situações?? E, de repente, em algumas linhas deixou de ser um livro sobre a minha indignação e passou a ser um manual de instruções :)))) PS - isto pode ser ofensivo para pessoas sensíveis! :)))))

05 de Janeiro, 2019

Temos mesmo o direito a ser quem somos?

Ana Isabel Sampaio

Igualdade de género, direito a ser quem se é, diversidade, equidade, justiça… São todos conceitos que achávamos que estariam mais que compreendidos e instalados no século XXI, numa sociedade que se diz desenvolvida, mas que dá cada vez mais tempo de antena à ignorância. Não que eu ache que ela deva ser mantida escondida, pelo contrário, deve ser mostrada e bem mostrada.

Preocupa-me é um bocado que seja validada.

Preocupa-me que as pessoas não tenham vergonha de apoiar certas ideologias, sim vergonha, é vergonha que se deve ter quando, por exemplo, se fala contra as migrações e se justifique com não argumentos ou com não respostas (um bocadinho como quando não se sabe expressar a opinião e se diz que algo é interessante ou diferente, só se diz apenas isso porque raramente se sabe fundamentar mais). É vergonhoso, sendo que Portugal é um país e sempre foi (com mais destaque para alguns períodos da história) de emigrantes e imigrantes. É vergonhoso que se dê tempo de antena a quem não o merece quando pessoas inspiradoras ficam num canto. É vergonhoso que ainda sejamos um país de invejosos e preguiçosos que prefere dizer mal de quem faz pela vida do que pegar e sair da sua própria mediocridade. É vergonhoso que se importem até as ideias de protesto que descredibilizam e ridicularizam pretensões verdadeiras (até parece que não há imaginação para mais).

Lamento, mas já não há pachorra para brandos costumes.

Acima de tudo, acredito que é no nosso dia a dia que fazemos a diferença. Com escolhas conscientes em tudo, até no mais pequeno pormenor. Acredito sim que o mundo está a caminhar para ser melhor, mas antes disso acontecer, todos os podres têm de vir ao de cima para serem curados e arrancados.

Será que temos todos, e pergunto mesmo todos, o direito a ser quem somos?

Tudo isto me preocupa por diversas razões, mas acima de tudo, porque tenho amigos de vários géneros, raças, nacionalidades, orientações sexuais e diferentes escolhas de vida e todos são uma bênção à diversidade e ao Amor. E preocupa-me que uns andem mais seguros na rua do que outros em Portugal no ano de 2019.

Lembro-me de quando éramos pequenos e achávamos que o futuro ia ser um bocadinho ao jeito dos The Jetsons (desenhos animados) e no entanto uma das polémicas do ano passado foi adolescentes a comerem detergente de roupa!!???

E quanto a quem quer o Salazar de volta, que tal irem passar umas férias a um país que viva em ditadura? Que tal uma voltinha temática ao que foi o campo de concentração do Tarrafal (sim, campo de concentração, ou achavam que o Salazar era o ditador mais bonzinho de todos os tempos e só queria que toda a gente estivesse em casa, segura, às oito da noite por causa do homem do saco?).

Aldous Huxley disse que o que aprendemos com a história é que nada aprendemos com a história... Pois, num momento da nossa história, em que até o holocausto está a ser posto em causa, com todos os holocaustos que acontecem todos os dias no mundo, está na hora de começarmos a aprendermos.