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O lápis que vê

O lápis que vê

16 de Dezembro, 2018

E se?

Ana Isabel Sampaio

O medo da mediocridade, da medianidade (não se esta palavra não existe do modo como eu a emprego, mas eu uso muito quando quero dizer que as pessoas se contentam em ser medianas).

Ninguém quer ser medíocre, ninguém quer ser mediano. Mas então qual é a relação? Se eu não quero ser, só tenho de me esforçar. Certo? À partida sim. Pelo caminho é que as coisas podem ficar mais complicadas.

É aqui que entra o medo de falhar. Esse medo de falhar que nos suaviza inutilmente. Esse medo de falhar que faz das nossas tentativas meros esquissos das nossas reais potencialidades. Esse medo de falhar que nos faz agarrar ao desperdício, ao mediano, ao mau. Que nos faz apegar-nos a coisas superficiais em vez de mergulhar fundo.

O medo do que se perde… ou se pode perder.

Quantas vezes nos agarramos a ideias ao status quo, ao que nos habituamos e moldamos a nossa vida, e as nossas expectivas, e desejos só porque é esperado?

Quantas vezes mudanças batem à porta e resistimos até tornar o nosso próprio caminho num inferno?

Quantas vezes nos deixamos deslumbrar por brilhos foscos e nos perdemos no caminho da nossa luz? E a nossa não é igual à de mais ninguém. Não tem de obedecer a regras ou padrões. Não tem de caber em caixas de papelão que enformam, mas que basta alguma água, um corte, um vento mais forte ou um valente pontapé para que se comecem a desfazer...

Então deixemos as caixas e os medos. O apego. Se estiver mau ou mal recomece-se.