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O lápis que vê

O lápis que vê

16 de Outubro, 2018

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Ana Isabel Sampaio

Suster o Amor? Suster a vida Caminhando a passos largos contra o vento Ele que me leva e me enleva Levando o que já não faz parte Soltando cada fio do meu cabelo Cada célula do meu corpo Cada filamento de adn distorcido. Ele leva cada pedaço partido Cada vidro cravado Cada sorriso forçado Cada lágrima escondida Cada falsa verdade. Caminhando a passos pequenos contra o vento Que me leva o que me pesa e me abre caminho Que me trás de volta o cheiro do mar... E de ti marinheiro...        

16 de Outubro, 2018

Estados emocionais: valorizar ou não? | Emotional states: to value or not?

Ana Isabel Sampaio

Valorizar ou desvalorizar estados emocionais, relativizar, comparar…

Como é que podemos estabelecer uma comparação saudável entre o que nos acontece, a forma como reagimos, a forma como os outros reagem? Como podemos expressar, nomeadamente a nível da saúde mental, estados de alma ou sentimentos, quando tanta gente tem dificuldade em ajudar ou reconhecer ou simplesmente se sente desconfortável, não sabe como ajudar e acaba a dizer frases comuns que em nada contribuem para nada.

Já ouvi muitas vezes que não importa o que se esteja a passar, há sempre alguém que está pior. Ora por essa lógica, há também muita gente que está bem melhor. Este tipo de afirmação tem uma quota de desdém perante as lutas e sentimentos do outro. Dá a entender que os problemas e lutas pessoais são insignificantes. Corre-se o risco de as pessoas passem a esconder-se e tentem não sobrecarregar os outros com a sua dor.

Todas as experiências são válidas. Todos as emoções e sentimentos devem ser reconhecidos e acarinhados, para que possam encontrar uma forma saudável de se expressar. Mesmo aqueles que consideramos menos bons, que temos tendência a esconder ou dos quais sentimos vergonha.

Cada pessoa tem uma forma diferente de lidar com o que lhe acontece. Cada pessoa tem uma experiência de vida diferente. Sem falar no contexto mais imediato que a rodeia.

É preciso muitas vezes uma grande coragem para desabafar, para abrir a alma ou o coração e é fundamental para que possamos todos caminhar para uma sociedade mais saudável, alegre e cheia de compaixão.

Também é fundamental que não nos sintamos incomodados quando alguém vem ter connosco. É importante tentar perceber em vez de tentar minimizar, muitas vezes com o objetivo de tentar fazer o outro sentir-se melhor. Mas ninguém se sente melhor quando o seu estado é desvalorizado.

Até porque não deve ser.

 

To value or devalue emotional states, to relativize, to compare ...

How can we establish a healthy comparison between what happens to us, how we react and how others react? How can we express, especially in terms of mental health, states of mind or feelings, when so many people have difficulty helping or recognizing or simply feel uncomfortable to talk about it or do not know how to help and ends up saying common sentences that do not contribute at all to anything.

I have heard many times that, no matter what is going on, there is always someone who has it worse. Well, by that logic, there are also many people who have it much better. This kind of statement has a share of disdain before the struggles and feelings of others. It implies that personal problems and struggles are insignificant. There is a risk that people will go into hiding and try not to overload others with their pain.

All experiences are valid. All emotions and feelings must be recognized and cherished so that they can find a healthy way of expression. Even those that we consider less good, which we tend to hide or that we feel ashamed of.

Each person has a different way of dealing with what happens to them. Each person has a different life experience. Not to mention the more immediate context.

It often takes great courage to vent, to open the soul or the heart. It is important to do so that we can all walk towards a healthier, merrier and more compassionate society.

It is also crucial that we do not feel uncomfortable when someone comes to us. It is important to try to perceive instead of trying to minimize, often with the goal of trying to make the other feel better. But no one feels better when their emotional state is devalued.

Even why it should not be.