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O lápis que vê

O lápis que vê

11 de Outubro, 2018

Esta procrastinação que me anima

Ana Isabel Sampaio

Sempre tive um padrão, ou pelo menos em algumas situações ele aparecia. Atraso. Ou eu chegava atrasada, por norma, mais ao trabalho aqueles cinco minutos que me tiravam do sério, ou então os meus amigos atrasavam-se para encontros comigo.

Nunca percebi de onde vinha isso. Sempre pensei: por que raio é que tenho de esperar? Sempre tive uma atitude um pouco arrogante perante a situação, ou seja, porque é que eu, que já estou pronta, tenho de esperar pelos que ainda vêm lá atrás? Quando na verdade, era precisamente ao contrário.

Eu estava atrasada.

Atrasada de mim mesma.

Atrasada no meu poder.

Atrasada na minha escrita.

Atrasada no meu corpo.

Isto que está a acontecer é porque eu me atrasei, procrastinei.

Ontem disse a uma amiga que tinha tanto medo de me sentir humilhada, que me esqueci de ser humilde. Só agora vejo, com vergonha, a minha arrogância dos últimos meses, anos, desde sempre?! Peço desculpa a todos e a mim mesma.

Fui eu que aqui me coloquei… que afastei o Amor, a compaixão, a ligação.

Afastei-me de mim mesma e tentei mascarar isso (o ego espiritual ou não é lixado) achando que de alguma forma eu já tinha chegado e os outros precisavam era de acordar e dar corda às sapatilhas. Mascarando estes ciclos com nome de cura. E sim, foram cura, mas alguns deles eram só ciclos de procrastinação e arrogância e claro, do seu primo direto, o medo.

Porque raio é que me coloquei nesta situação? Porque mascaro a minha verdade mais ou menos, porquê?

Se hoje é esta a situação, a responsabilidade é minha. Minha, porque não tomei responsabilidade por mim própria, minha porque me sentei à sombra da bananeira de uma predestinação oca. De uma salvação que não vem de fora, mas de dentro. Acomodei-me com palavras feitas e ideias antigas que não fazem mais sentido e nunca fizeram. Nunca duvidei das minhas intenções genuínas, e sei que muitas vezes houve coisas que foram entendidas como arrogância e eram defesa. Sorte que a intenção conta e muito e as minhas, apesar de tudo, partiram sempre de um bom lugar.

Esta desconexão com o corpo… esta procura de meios diferentes… este medo.

Medo e arrogância, juntando procrastinação são uma combinação muito perigosa.

Como transformo isto em potencialidade? Como transformar a sombra em força?

Se dentro da nossa maior sombra, sai o nosso maior potencial como é que eu viro o jogo?