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O lápis que vê

O lápis que vê

04 de Abril, 2018

Espelho meu, espelho meu... | Mirror Mirror...

Ana Isabel Sampaio

Espelhos, temo-los por todo o lado, mas será que realmente olhamos com atenção? A metáfora ou imaginário do espelho está presente em várias obras de ficção, livros e filmes. A Alice no primeiro livro cai num buraco coelho (que também é uma metáfora), mas no segundo vai para o outro lado do espelho. Os espelhos aparecem como portais para outros mundos e dimensões, servem de meio de transporte e refletem, em algumas obras, o lado mau, ou o lado vilão de quem o olha.

Vamos pegar nesta última ideia.

O espelho é muito usado para trabalho de autoestima e autoimagem. Acredito com todas as minhas forças que a nossa relação connosco próprios é a base de todas as outras relações e de toda a nossa vida. Não se pode avançar verdadeiramente sem curarmos esta relação primordial. Enquanto não conseguirmos olhar-nos no espelho e dizer: amo-te sem achar ridículo, parvo, achar que é mentira, mas também sem pedantismos e sem narcisismos, ou seja, com um amor-próprio verdadeiro e saudável, dificilmente chegamos onde queremos verdadeiramente. (ver final do artigo onde está um exercício que todos podem aplicar e sugestão de leitura para esta questão).

Mas poderão as outras pessoas ser também nossos espelhos?

Já sabem a resposta, não é?

As outras pessoas são um espelho muito bom e com muitas potencialidades. Então como? Antes de continuar aviso que isto pode ser bastante irritante de ouvir, pode servir de gatilho, pode parecer ridículo. Pessoalmente, levou-me imenso tempo a perceber o funcionamento real desta técnica. Percebia-a cognitivamente, ou seja, percebia a dinâmica de funcionamento, mas quando se tornava real é que a situação complicava. Vamos então ser mais concretos.

Aquilo que nos irrita nas pessoas está a mostrar-nos alguma parte não curada de nós. Normalmente vivemos situações que estão em alinhamento com a nossa energia e com aquilo que temos dentro de nós. Há uma frase muito bonita que diz algo do género: só consegues vês a beleza em mim, porque carregas essa beleza dentro de ti. Mas eu posso ser a melhor pessoa do mundo e carregar muita energia de medo, ou dar-me pouco valor então eu vou atrair situações que me mostram esse lado que preciso curar.

Se calhar dando alguns exemplos práticos fica mais fácil.

Alguém que nos trai por causa de dinheiro (deixo claro que vamos analisar a perspectiva do que nós podemos tirar e melhorar em nós, não vou entrar em questões de valores ou atitudes questionáveis dos outros, porque por exemplo uma traição é um ato deliberado de enganar alguém que escolheu confiar). Então, voltando à traição por dinheiro (ou podem inserir aqui outro motivo). Questão: será que estou a depositar muito do meu valor (autoestima) nas questões materiais, no que possuo ou posso adquirir e numa imagem? Todos gostamos de conforto e segurança e coisas boas, mas o nosso valor deve estar acima dessas coisas. O nosso valor não pode depender do status. E claro, eu comecei logo por uma difícil, porque, como disse acima, a traição não levanta só a questão do valor, mas também da confiança.

Alguém que não nos fala ou comunica. Questão: o que é que eu não estou a comunicar? Que com que parte de mim ou com que situação interna eu não quero falar?

Alguém que me tenta humilhar ou que é mal-educado. Questões: será que tenho os meus limites bem definidos? Sei ser assertivo? Sei qual é o meu valor ou dei o meu poder?

Acho alguém mau profissional. Será que há alguma parte da minha vida onde eu seja mau profissional (o reflexo que nos mostram pode não ser necessariamente na mesma área, alguém pode irritar-nos na área profissional, mas isso pode ser um reflexo de algo que temos de olhar na nossa vida pessoal ou emocional).

E, para terminar, uma também difícil. E quando tudo parece perfeito? Ou, como perfeito nada é, e o perfeccionismo é uma grande armadilha, vamos antes dizer: quando tudo parece bom demais para ser verdade? Uiiii, é só luzinhas vermelhas a piscar, é soar de alarmes e apitos por todo lado na nossa cabeça. É avisos de perigo em cada esquina… 😊 Questões: porque acho eu que não mereço esta coisa maravilhosa que me está a acontecer? Será que fui condicionado a acreditar que não posso ter algo tão bom? Será que eu acho que tenho de atingir a perfeição para que esta situação possa entrar na minha vida?

Acho que agora já perceberam a fórmula, para além de ter bom humor sempre, é: definir o que nos irrita, incomoda ou magoa e fazer a questão ou questões.

Parece simples, mas é profundo. Muitas vezes podemos encontrar partes de nós que não queríamos, que não sabíamos que existiam ou que definitivamente não queremos revisitar. Mas, e como só falo por experiência ou tento, vale muito a pena. A liberdade e o Amor que daí vem são uma recompensa muito maior que a dor e o sofrimento que o processo pode acarretar. Porque começamos a ver refletidos no mundo toda essa beleza que trazemos à tona.

 

Exercício do espelho, excerto retirado do livro "Pode curar a sua vida" da Louise Hay: um pequeno apontamento sobre os chamados livros de autoajuda e sobre um certo preconceito que gira à volta deles. Como em tudo, há de tudo. Há bons, há médios, há maus e há os que chegam a ser ridículos, mas são ferramentas maravilhosas. O preconceito que a sociedade tem sobre isto, sobre terapias e sobre doenças mentais só prejudica. Tenho a maior admiração (e porque são para mim inspirações que também me ajudaram), respeito e gratidão por todos os que procuram ajuda em algum momento da sua vida, porque são esses que inspiram e fazem a diferença. E como se muda o mundo? Um pequeno gesto de cada vez.

Agora sim, o excerto:Resultado de imagem para mirror meme

"Gosto especialmente do exercício do espelho. Tenho visto muitas pessoas mudarem as suas vidas apenas olhando-se no espelho e dizendo : “Eu amo-te, eu amo-te de verdade”.

Sei que é difícil começar esse exercício. Você vai achar inicialmente que essa afirmação não é verdadeira, é estranha, ridícula, você talvez sinta vergonha em olhar-se no espelho afirmando que se ama.

Mas tente, por favor. Não deixe de tentar. Se tiver coragem e persistência e fizer essa simples afirmação todas as vezes que estiver em frente ao espelho, você vai ver como a sua energia interior começa a mudar. Você irá, aos poucos, libertando-se dos pensamentos e comportamentos destrutivos, aceitando-se. Amar-se passará a ser muito mais fácil.

Há muitas maneiras de praticar o exercício do espelho. A primeira coisa que gosto de fazer de manhã é olhar no espelho e dizer: “eu amo-te. O que posso fazer hoje pela tua felicidade? Como posso fazer-te feliz hoje?”

Alguma vez você já se perguntou isso de manhã, logo ao acordar? Preste atenção à resposta que lhe vem à cabeça e comece a seguir mensagem. Pode ser que no início não lhe venha resposta alguma, porque você não tem o hábito de tratar-se com carinho e cuidado. Mas insista e você verá que, aos poucos, as respostas começarão a aparecer.

Se algo desagradável acontecer, imediatamente corra para o espelho e diga: “Eu amo-te. Eu amo-te independentemente de tudo!” Fazendo essa afirmação, você irá perceber que os acontecimentos vê e vão, mas o amor que você tem por si é constante e é a coisa mais importante da sua vida. Se algo maravilhoso acontecer, corra para o espelho e agradeça com alegria. Recompense-se por ter criado algo maravilhoso.

Você pode perdoar-se fazendo o exercício do espelho. Olhe dentro de seus olhos no espelho e diga: “Eu te perdoo. Eu te perdoo por ter se prendido a esses padrões negativos por tanto tempo. Eu te perdoo por não se amar. Eu te perdoo por qualquer coisa.”

Nós temos a tendência de sermos críticos e implacáveis com nós mesmos, deixando que pequenos erros nos abatam. Julgamos e condenamos-nos sem nos darmos conta de que a falha humana, pode ser reparada e serve para nossa aprendizagem.

Cada um de nós pode usar o perdão diariamente. Ás vezes olho no espelho e digo: “Eu estou perdoada. Eu perdoo-te e estou perdoada.”

Perdoar e ser perdoado – isso funciona de duas maneiras. Você pode conversar com outras pessoas no espelho. Diga a elas, olhando no espelho, o que teria medo de dizer pessoalmente. Você pode resolver velhas pendências, pode perdoá-las. Você pode pedir amor e aprovação. É uma maneira maravilhosa de conversar com seus pais, com amigos, parentes e com seu chefe, com quem você quiser.

O que todos nós queremos sempre é receber amor e aprovação. A vida é um vai e volta permanente: aquilo que damos, de negativo ou positivo, volta para nós, e, quanto mais damos, mais recebemos. Por isso as afirmações no espelho são eficientes, porque voltam para nós.

Se ao dizer para você no espelho “eu amo-te”, você ouvir uma resposta negativa, do tipo “ama coisa nenhuma”, quem diz isso é o seu lado antigo, perverso, que conspira contra você.

Descarte-o, é justamente dele que você está querendo livrar-se, não lhe dê importância. E faça imediatamente uma afirmação positiva. Livre-se disso!

E, ao menos uma vez por dia, olhe dentro dos seus olhos no espelho e diga: “Eu amo-te. Eu amo-te de verdade.” Faça isso agora! Não espere até ficar bem ou perder peso, ou arranjar um novo emprego, ou começar um novo relacionamento. Faça agora! E faça o melhor que puder, mesmo que ache ridículo, mesmo que sinta um certo constrangimento. Eu garanto que vai funcionar.”

.....

Mirrors, we have them everywhere, but do we really look closely? The metaphor or imagery of the mirror is present in various works of fiction, books and films. Alice in the first book falls into a rabbit hole (which is also a metaphor), but in the second goes to the other side of the mirror. Mirrors appear as portals to other worlds and dimensions, serve as means of transport and reflect, in some works, the bad side, or the villainous side of those who look at it.

 Let's continue with this line of thought.

The mirror is much used for self-esteem and self-image work. I believe with all my strength that our relationship with ourselves is the basis of all other relationships and of our whole life. One cannot truly advance without healing this primordial relationship. As long as we cannot look at ourselves in the mirror and say: I love you without feelling ridiculous, silly, thinking it is a lie, but also without pedantry and without narcissism, that is, with a true and healthy self-esteem, we hardly reach what we truly want.

But can other people also be our mirrors?

You already know the answer, right? Other people are a very good mirrors, with many potentialities. So, as? Before continuing I want to say that this can be quite annoying to hear, it can serve as a trigger, it may even sound ridiculous. Personally, it took me a long time to realize the real potencial of this technique. I perceived it cognitively, that is, I perceived the dynamics of functioning, but when it came to real situations it was more complicated.

Let us then be more concrete.

What annoys us in people is showing us some unhealed part of ourselves. Usually we live situations that are in alignment with our energy and with what we have inside of us. There is a very beautiful sentence that goes something like this: you can only see beauty in me, because you carry that beauty inside you. But I can be the best person in the world and carry a lot of of fear energy, or give me so little value so I will attract situations that show me that side that I need to heal.

Perhaps giving a few practical examples is easier.

Someone who betrays us because of money (I want to make it clear that we are going to analyze the perspective of what we can take and improve in ourselves, I will not go into questions of values ​​or questionable attitudes of others, for example a betrayal is a deliberate act of deceiving someone therefore trust issues came up). Returning to the point… Question: Am I putting much of my value (self-esteem) into material issues, into what I own or can acquire, and into an image? We all like comfort and safety and good things, but our worth must be above these things. Our value cannot depend on status. And of course, I started with a difficult one because, as I said above, betrayal raises not only the question of value, but also of trust.

Someone who does not speak to us or communicate. Question: what am I not communicating? What part of me or what internal situation do I not want to talk about?

Someone who tries to humiliate me or who is rude. Questions: Do I have my boundaries well defined? Do I know how to be assertive? Do I know what I am worth or give my power?

I think somebody's a bad professional. Question: is there any part of my life where I am a bad professional (the reflection they show us may not necessarily be in the same area, someone may irritate us in the professional area, but this may be a reflection of something we have to look at in our personal or emotional life).

And, finally, a difficult one too. And when everything seems perfect? Or because perfectionism is a great trap, when everything seems too good to be true? Ahhhh, it's just flashing red lights, it's ringing alarms and whistles all over our heads. It's warnings of danger on every corner ... 😊 Questions: why do I think I do not deserve this wonderful thing that is happening to me? Am I conditioned to believe that I cannot have something so good? Do I think I have to achieve perfection so that this situation can enter my life?

I think that now you have perceived the formula, besides always having a good sense of humor, is: define what irritates, annoys or hurts you and ask the question or questions. It sounds simple, but it's deep. We can often find parts of ourselves that we did not want to have, that we did not even know existed or that we definitely do not want to revisit. But, as I only speak from experience or try, it is very worthwhile. The freedom and Love that comes from it is a far a greater reward than the pain and suffering that the process can bring. Because we begin to see reflected in the world all this beauty that we brought to the surface.

Mirror exercise, excerpt from Louise Hay's book "You can heal your life": a short note babout so-called self-help books and about a certain prejudice that revolves around them. As in everything, there is everything. There are good ones, there are medium ones, there are bad ones and there are those that are ridiculous, but they are wonderful tools. The prejudice that society has about this, about therapies and about mental illness only harms. I have the greatest admiration (and because they inspire me as well) and gratitude to all who seek help at some point in their lives, because they are the ones who inspire and make a difference. And how does the world change? One small gesture at a time.Imagens: imgflip, pinterest