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O lápis que vê

O lápis que vê

11 de Fevereiro, 2018

The wall - podemos falar de educação?

Ana Isabel Sampaio

Quando vi de passagem a noticia do ranking das escolas o meu pensamento foi o que é sempre que este tipo de coisas aparece, foi qualquer coisa deste tipo: lá estão eles a insistir nesta m**** (e eu nem digo asneiras, embora às vezes pense) e continuei o meu caminho a dissertar mentalmente sobre o tema.

Toda a gente sabe da desigualdade com que as escolas publicas concorrem e também toda a gente sabe da tranbiquice que vai em alguns colégios. Não é bem sobre isso que quero falar hoje, mas isto tem sempre de ser reforçado, porque quando fazem estas noticias parece que toda a gente parte daquela linha da meta bem desenhada e justa. Posso dizer, e, como sempre, falo da minha experiência, que já vi alunos em situações sociais e familiares muito difíceis a terem bem melhores resultados que alunos de médias altíssimas, isto porque, para além dos estudos, tiveram de superar uma serie de condicionantes de vida. Por outro lado, também já vi alunos de colégios com elevada pressão sobre as costas, com o coração apertado devido às elevadas e exageradas expectativas sobre si.

A educação sempre foi um dos meus grandes amores e, como acontece com grandes amores, de vez em quando lá nos chateamos e tentamos fugir, procurar distrações… Mas e, como dizia Jonny Ox, quando se tentar fugir ao que está destinado, o Amor ri-se da nossa revolta absolutamente insignificante (e olhem que eu às vezes tento mesmo a a sério 😊), a fuga não durou muito tempo e o destino quando chegou o momento certo lá deu a sua achega e eu disse que sim (é a questão com o destino ele só nos mostra, mas a decisão é sempre nossa). No final de julho de 2016, quando deixei o ensino (não por opção) já estava pelos cabelos (mas ainda assim não foi um período fácil por várias razões), não de ensinar, não das aulas, não de estar com os miúdos (aliás, era a eles que ia buscar forças e motivação), mas por todo o circo que a educação se tem vindo a tornar, um circo de papeis perfeitos e hipocrisia a dar aulas.

Os professores estão cansados, os alunos estão cansados e depois já ninguém tem paciência para ninguém.

O sistema de ensino está ultrapassado, não responde às necessidades atuais e não evoluiu. É um sistema parado no tempo, cansativo aborrecido e antiquado. E não é por se pôr uns computadores com projetores na sala que isto mudo. A forma de avaliação não avalia as qualidades reais dos alunos, é stressante e até desumano. A criatividade não é valorizada, nem a individualidade.

As matérias precisam de ser revistas, a forma de dar as aulas também, a forma de interação também. Há bons exemplos que não são tidos em conta, mesmo cá em Portugal, claro que não são perfeitos, isso não existe, mas porque é que não se está disposto a ter em conta boas práticas comprovadas. Somos comodistas, e no sector da educação isso está bem enraizado. Mas é preciso fazer um esforço, porque é bem pior a mesmice que leva toda a gente a estar farta e desmotivada. Os próprios professores são um pouco culpados disso. Assim que se fala de mudança erguem-se logo um conjunto de vozes que abafa toda a possibilidade de conversação. Quando colegas tentam fazer algo de novo ou um esforço extra por não se deixar levar por este desgaste são olhados de lado.

A escola e a educação formal tem de ser um esforço consertado entre Estado, escolas, professores, pais e alunos (sim, porque eles são quem frequenta a escola e têm uma palavra a dizer, se os adultos ouvissem mais as crianças, muita coisa poderia ser melhor). A forma como funciona só cria um fosso maior entre gerações.

Ninguém é perfeito e nada é perfeito (e ainda bem senão o mundo era uma chatice), mas há muito espaço para melhorar. Essa melhoria não é utopia (até rimei sem querer e quem rima sem querer é amado sem saber😊) é uma questão de toda a gente olhar na mesma direção (ups I did it again 😊 juro que não foi de propósito).

 https://www.youtube.com/watch?v=YR5ApYxkU-U